Água do São Francisco no Agreste: Paranatama entra em projeto de expansão com 720 km de novas adutoras
Documentos oficiais consultados pelo Paranatama News incluem o município na segunda etapa da Adutora do Agreste, rede regional ligada à infraestrutura alimentada pelo Ramal do Agreste e ao Projeto de Integração do Rio São Francisco. Por Reginaldo Bezerra. 17 de agosto de 2026 | Atualizado às 17h57
Imagem | Foto | print documento oficial | plano regional de saneamento RMR-PAJEÚ
A água do Rio São Francisco poderá integrar, no futuro, uma nova rota de abastecimento para Paranatama e outras cidades do Agreste Meridional. Documentos técnicos oficiais consultados pelo Paranatama News mostram que o município está formalmente incluído na 2ª etapa da Adutora do Agreste, projeto de expansão de uma grande rede regional de distribuição de água.
O levantamento identificou um dado de grande dimensão: o planejamento técnico prevê cerca de 720 quilômetros de novas adutoras, atendimento a mais de 40 municípios e capacidade projetada de produção de até 4.000 litros por segundo. A estrutura considerada no projeto tem relação declarada com o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), por meio do Ramal do Agreste e da infraestrutura de armazenamento e distribuição planejada para a região.
Entre os municípios inseridos nesse planejamento estão Paranatama, Lajedo, Saloá, Garanhuns, Brejão, Caetés, Capoeiras, Jupi, Jucati, Bom Conselho, Correntes, Lagoa do Ouro e Terezinha.
O que os documentos confirmam
O nome de Paranatama aparece no Relatório de Identificação de Obra do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos, vinculado ao empreendimento denominado Sistema Integrado Adutora do Agreste 2ª Etapa, identificado pelo código PE-SE-AAT-001. O cadastro aponta o município entre as localidades previstas para atendimento pela expansão do sistema.
Outro documento oficial, o Plano Regional de Saneamento de Pernambuco, registra para a sede de Paranatama uma previsão técnica de 19,4 litros por segundo, com estimativa de 4.275 pessoas atendidas, dentro dos parâmetros utilizados no planejamento regional.
Mas há uma ressalva essencial: a previsão não significa que essa vazão já esteja disponível no município nem representa garantia de início imediato das obras.
Os documentos comprovam a inclusão de Paranatama no planejamento. A execução efetiva, porém, depende de projetos atualizados, contratos, recursos, definição de lotes, construção da infraestrutura e posterior operação do sistema.
Uma rede regional, não uma ligação direta comprovada
Um mapa técnico do Sistema Integrado do Agreste, com fonte atribuída à Compesa e datado de abril de 2021, coloca Paranatama dentro da malha projetada da segunda etapa, ao lado de cidades estratégicas do Agreste Meridional, incluindo Lajedo, Saloá, Brejão, Garanhuns, Jucati e Bom Conselho.
O mapa, no entanto, não permite afirmar que exista uma única adutora diretamente contratada ligando Lajedo a Paranatama.
O que está documentalmente demonstrado é que os dois municípios integram o mesmo planejamento de expansão regional. O traçado específico, a sequência das cidades atendidas e o ramal que deverá chegar a Paranatama ainda precisam de confirmação em projetos executivos, licitações ou contratos atualizados.
Essa diferença é decisiva para separar o que já está comprovado daquilo que ainda permanece no campo da investigação.
O caminho da água até o Agreste
A cadeia de infraestrutura prevista para a expansão pode ser resumida da seguinte forma:
Rio São Francisco → Projeto de Integração → Ramal do Agreste → infraestrutura de armazenamento e distribuição → Adutora do Agreste → ramais municipais.
O cadastro técnico da segunda etapa considera captação principal no Reservatório do Ipojuca, alimentado pelo Ramal do Agreste, e declara a relação da intervenção com o Projeto de Integração do Rio São Francisco.
Em abril de 2026, novos trechos da Adutora do Agreste foram autorizados pelo Governo Federal para municípios como Buíque, Tupanatinga, Itaíba, Águas Belas e Iati, evidenciando que o sistema continua avançando por etapas e diferentes lotes, e não como uma obra única entregue simultaneamente.
Lajedo ganha importância estratégica
O avanço da infraestrutura até Lajedo passou a ser um ponto relevante para o Agreste Meridional. Em 2026, foi iniciado o processo para implantação do Lote 5D, destinado ao avanço do sistema até o município.
Antes disso, a Compesa informou que as obras entre Belo Jardim e São Bento do Una estavam na reta final, incluindo 22,4 quilômetros de adutora e uma estação de tratamento com capacidade para 100 litros por segundo.
Para Paranatama, a importância desse avanço está justamente na proximidade da expansão com uma região que já aparece formalmente no planejamento da segunda etapa.
Ainda assim, a investigação não encontrou, nos documentos analisados até aqui, um cronograma atualizado que determine quando começará a obra específica de ligação de Paranatama.
O que ainda falta responder
A documentação consultada confirma a presença de Paranatama no projeto, mas deixa questões fundamentais em aberto:
- Qual será o ramal exato que levará a água até Paranatama?
- Por quais municípios passará a infraestrutura?
- Qual lote ou contrato será responsável pelo trecho?
- Qual é o orçamento atualizado da ligação?
- Quando as obras devem começar e terminar?
- A previsão de 19,4 litros por segundo será mantida nos projetos mais recentes?
O próprio cadastro técnico exige cautela. O documento registra Projeto Executivo Concluído em 2020 e uma previsão histórica de conclusão das obras em 2024, cronograma que já não corresponde à execução integral observada em 2026. Portanto, o documento é uma prova importante da concepção e inclusão de Paranatama no sistema, mas não pode ser tratado isoladamente como calendário atual da obra.
Uma obra de bilhões e uma expectativa regional
Em valores de referência de dezembro de 2020, o cadastro registrava R$ 2,254 bilhões previstos para a segunda etapa. Como o valor é histórico, ele não deve ser apresentado como orçamento atualizado de 2026 sem confirmação oficial posterior.
Ainda assim, a dimensão financeira ajuda a revelar a escala do projeto.
Para municípios que convivem com limitações de mananciais, rodízios e insegurança no abastecimento, a expansão da Adutora do Agreste representa mais do que uma obra de engenharia. É uma tentativa de criar uma nova estrutura de segurança hídrica para o interior de Pernambuco.
Para Paranatama, o principal fato já está documentado: o município aparece oficialmente na segunda etapa da Adutora do Agreste e integra uma rede planejada de expansão ligada à infraestrutura do Projeto de Integração do Rio São Francisco.
A pergunta que permanece é outra: quando o planejamento técnico começará, de fato, a se transformar em água chegando às torneiras da população?
Essa será uma das questões centrais da próxima etapa da investigação.
Consulte o documento na íntegra por meio do seguinte endereço: Link