Deputados denunciam corte de R$ 1,5 bilhão na saúde e fechamento de 226 leitos em Pernambuco
Parlamentares da oposição acusam governo Raquel Lyra de agravar crise hospitalar; gestão rebate críticas e afirma ter ampliado rede de atendimento
Foto: Divulgação/Diário de Pernambuco
Deputados estaduais da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) denunciaram nesta terça-feira (26) um suposto corte de aproximadamente R$ 1,5 bilhão nos investimentos em saúde pública no estado, além da redução de 226 leitos hospitalares na rede estadual nos últimos anos.
A denúncia foi apresentada por parlamentares do Partido Socialista Brasileiro durante coletiva realizada na Alepe, no Recife.
O grupo afirma que a redução de recursos teria contribuído para o agravamento da crise em hospitais estaduais e para a superlotação em unidades de referência da capital pernambucana.
Entre os deputados que participaram da denúncia estão Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Diogo Moraes e Eriberto Medeiros.
Relatório aponta redução de investimentos e leitos
Segundo os parlamentares, os dados foram levantados a partir de prestações quadrimestrais apresentadas pelo próprio governo estadual e de vistorias realizadas recentemente em hospitais públicos do Recife.
De acordo com o relatório apresentado pela oposição, Pernambuco teria registrado queda nos investimentos em saúde entre 2022 e 2025, passando de 18,8% para 15,8% da receita estadual aplicada no setor.
Ainda segundo os deputados, a rede estadual perdeu 226 leitos operacionais no período, caindo de 12.552 para 12.328 vagas disponíveis.
Os parlamentares também denunciaram problemas estruturais em unidades como o Hospital da Restauração, Hospital Getúlio Vargas, Hospital Agamenon Magalhães e Hospital Otávio de Freitas.
“O sistema entrou em colapso”, afirmou Sileno Guedes durante a coletiva, segundo reportagem publicada pelo Diário de Pernambuco.
Oposição promete acionar órgãos de controle
Os deputados informaram que o relatório, intitulado “Saúde de Fachada”, será encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).
Segundo os parlamentares, o objetivo é solicitar investigações sobre a situação da rede estadual de saúde e possíveis falhas administrativas na gestão hospitalar.
A oposição também criticou a demora em reformas hospitalares, o fechamento de unidades de retaguarda e a ausência de novos equipamentos públicos de saúde no estado.
Governo rebate acusações e fala em “narrativa política”
Horas após a coletiva da oposição, a líder do governo na Alepe, Socorro Pimentel, reagiu às acusações e classificou as críticas como “narrativa política de palanque”.
Segundo a parlamentar, a gestão da governadora Raquel Lyra herdou hospitais sucateados e vem promovendo reestruturações na rede estadual.
De acordo com Socorro Pimentel, mais de 700 leitos teriam sido abertos pela atual gestão em Pernambuco, além de investimentos em modernização hospitalar e descentralização de serviços médicos.
A deputada também afirmou que os investimentos em saúde seguem acima do mínimo constitucional exigido e que o governo trabalha para reorganizar a regulação hospitalar e ampliar atendimentos especializados.
Saúde deve ampliar embate político em Pernambuco
A crise na saúde pública deve intensificar o confronto político entre oposição e governo estadual nos próximos meses.
Nos bastidores da Alepe, parlamentares avaliam que a situação da rede hospitalar poderá se tornar um dos principais temas do debate político em Pernambuco, principalmente diante do aumento da pressão por melhorias no atendimento e da proximidade do calendário eleitoral de 2026.
Especialistas apontam que problemas como superlotação hospitalar, demora em cirurgias e escassez de leitos costumam ter forte impacto na percepção popular sobre governos estaduais.