Governistas culpam clã Bolsonaro por tarifaço de 25% dos EUA; oposição rebate e critica Executivo
Aliados de Lula acusam Flávio e Eduardo Bolsonaro de pedir tarifas contra Brasil em Washington; oposição responsabiliza governo petista e cobra negociação Por Redação ParanatamaNews 02/06/2026 | Atualizado às 18h50
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Aliados do governo e integrantes do Executivo culparam abertamente membros da família Bolsonaro pelo anúncio de nova tarifa de 25% dos Estados Unidos a produtos brasileiros, em uma troca de acusações que escalou nas redes sociais e no Congresso Nacional nesta terça-feira (2).
Em outra frente do embate, parlamentares da oposição criticaram a gestão petista e defenderam que a responsabilidade pela negociação comercial é exclusiva do governo Lula.
Para governistas, a viagem recente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos pesou diretamente na decisão do governo Trump. O pré-candidato à Presidência da República, no entanto, negou ter pedido taxações e afirmou ter solicitado "expressamente" a Donald Trump que não taxasse empresas brasileiras.
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra a família Bolsonaro durante evento em Catalão (GO). Em declaração forte, Lula acusou Flávio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) de buscar interferência estrangeira nas decisões brasileiras.
"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. Foram pedir para um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som: são traidores."
A fala de Lula sintetiza a estratégia da campanha petista: atrelar a nova proposta de tarifa a uma articulação direta de Flávio Bolsonaro em Washington. A hashtag "tariflavio" ganhou força nas redes sociais, assim como "o Pix é nosso" em defesa do sistema de pagamentos brasileiro. A ex-ministra e deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi ainda mais incisiva. Em publicação no X, ela classificou os Bolsonaro como "traidores da pátria":
"O Pix é nosso, veio pra ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro. É criminoso o que os Bolsonaros fazem contra o Brasil. Traidores da pátria, do povo brasileiro."
O que diz a oposição: "Responsabilidade é do governo Lula" Parlamentares da oposição reconheceram preocupação com a nova tarifa, mas responsabilizaram o Executivo e cobraram negociações para reverter a medida. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou nas redes sociais que o governo tem 30 dias para resolver a questão antes que as tarifas se concretizem:
"A responsabilidade é do governo Lula, que está destruindo o Brasil. Temos 30 dias para resolver. Se as tarifas se concretizarem, a responsabilidade é exclusiva do governo Lula."
O prazo limite para a definição e aplicação da nova taxação é o dia 15 de julho. Flávio Bolsonaro, em entrevista à Rádio Itatiaia, cobrou ação do presidente:
"Lula tem mais esse tempo para ir lá e negociar, para defender as empresas brasileiras, valorizar o nosso agro."
Pix, Odebrecht e o relatório do USTR A defesa do Pix tem sido reforçada por aliados do Executivo como parte da resposta ao governo americano.
O relatório do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), que recomendou a nova tarifa, avalia que o Pix como meio de pagamento eletrônico é "injusto e discriminatório" contra empresas americanas.
Ainda como argumento contra a gestão petista, parlamentares da oposição ressaltaram que o governo americano citou como exemplo de fragilidade no combate à corrupção a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que anulou as provas obtidas por meio do acordo de leniência da Odebrecht.
O deputado Mauricio Marcon (PL-RS) ironizou nas redes:
"Quem diria que ter ministros deste naipe, protegidos por Lula e o PT, nos traria problemas, né?"
"Retaliação" e defesa da soberania
Aliados do governo avaliam que há uma retaliação norte-americana por decisões internas do Brasil. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) destacou no X:
"Os EUA querem retaliar o Brasil por decisões da Justiça brasileira, pelo Pix e por políticas definidas pelo Estado brasileiro. O Pix virou alvo justamente porque deu certo."
A leitura governista é de que a administração Trump está usando instrumentos comerciais para pressionar o Brasil em múltiplas frentes: sistema de pagamentos, decisões judiciais e, agora, tarifas sobre exportações.
Flávio Bolsonaro nega pedido de tarifas
Em meio às acusações, Flávio Bolsonaro insistiu que não tratou de taxações durante sua viagem à Casa Branca. Ele reforçou que apresentou às autoridades americanas preocupações relacionadas ao avanço do crime organizado e defendeu a classificação de facções como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A campanha do presidente Lula, no entanto, mira explorar o episódio como "munição" eleitoral contra o pré-candidato do PL. A estratégia é clara: associar Flávio Bolsonaro às tarifas americanas e, por extensão, ao prejuízo do agronegócio brasileiro.
Contexto: o "novo tarifaço"
O anúncio de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump representa um novo capítulo da tensão comercial entre os dois países. A medida atinge diretamente o agronegócio, setor estratégico para a economia brasileira e eleitoralmente decisivo em estados do Centro-Oeste e Sul.
A viagem de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, ocorrida na semana passada, coincidiu com a escalada das ameaças tarifárias. Para governistas, a coincidência não é acidental. Para a oposição, é o governo Lula que falhou na diplomacia econômica.
O prazo de 30 dias até 15 de julho coloca pressão sobre o Palácio do Planalto para uma negociação que evite a taxação ou, caso ela se concretize, para uma resposta que minimize os danos às exportações brasileiras.