João Campos abre vantagem na disputa por Pernambuco; aprovação de Raquel Lyra cria cenário competitivo
Pesquisa Quaest mostra liderança do prefeito recifense na corrida de 2026, enquanto governadora mantém avaliação positiva e força administrativa RECIFE — A corrida pelo Governo de Pernambuco em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (28) aponta o prefeito do Recife, João Campos, na liderança das intenções de voto para o Palácio do Campo das Princesas, à frente da governadora Raquel Lyra. O levantamento, porém, revela também um dado estratégico: a atual gestora preserva índices robustos de aprovação, sinalizando que a disputa segue aberta e tende a ser uma das mais relevantes do Nordeste.
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No cenário estimulado de primeiro turno, João Campos aparece com 42%, contra 34% de Raquel Lyra. Em seguida surgem nomes com desempenho residual: Eduardo Moura (3%) e Ivan Moraes (1%). Indecisos somam 11%, enquanto 9% afirmaram votar em branco, nulo ou se abster.
Em uma eventual segunda rodada entre os dois principais nomes, João Campos também aparece à frente, com 46%, contra 38% da atual governadora. O resultado reforça o peso político do socialista, herdeiro de um grupo tradicional no estado e hoje um dos nomes mais competitivos de sua geração.
Aprovação da gestão impede leitura simplista
Embora os números eleitorais favoreçam João Campos neste momento, a pesquisa indica que Raquel Lyra mantém base sólida de sustentação popular. Segundo o levantamento, 62% aprovam sua administração, enquanto 35% desaprovam.
Na prática, isso significa que o eleitor pernambucano pode separar avaliação administrativa de preferência eleitoral. É um fenômeno comum em disputas estaduais: gestores bem avaliados nem sempre lideram cenários antecipados, especialmente quando enfrentam adversários com alta popularidade pessoal e forte presença midiática.
Peso da Região Metropolitana e interior decisivo
João Campos concentra força política natural na Região Metropolitana do Recife, maior colégio eleitoral do estado e território historicamente decisivo. Já Raquel Lyra tende a buscar no interior sua principal trincheira, sobretudo entre eleitores que valorizam a máquina pública, obras e capilaridade administrativa.
Esse desenho indica que a eleição de 2026 poderá ser marcada por uma disputa geográfica: litoral e capital de um lado, interior estratégico de outro. Quem ampliar pontes fora de sua base original largará em vantagem.
Eleição ainda em fase inicial
Apesar do impacto político do levantamento, especialistas costumam lembrar que pesquisas realizadas a mais de um ano do pleito captam tendências, não resultados definitivos. Alianças partidárias, desempenho de governo, cenário nacional e tempo de campanha ainda podem alterar significativamente o quadro.
Por enquanto, o retrato é claro: João Campos lidera eleitoralmente, Raquel Lyra resiste politicamente. E Pernambuco se encaminha para uma disputa de alto nível competitivo.
A pesquisa ouviu 900 eleitores entre 22 e 26 de abril, com margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de confiança.