João Campos pede atenção do TRE-PE para desinformação e suposto “gabinete do ódio”
Candidato ao Governo de Pernambuco levou ao Tribunal Eleitoral preocupação com ataques coordenados nas redes sociais e defendeu apuração de eventuais irregularidades. Por Reginaldo Bezerra. 12 de agosto de 2026 | Atualizado às 17h40
Imagem | Foto | Blog do Magno | Divulgação
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) procurou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), na última terça-feira (11), para manifestar preocupação com a disseminação de desinformação e com o que sua campanha classifica como um possível “gabinete do ódio” nas redes sociais. A reunião ocorreu às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto.
Reunião no TRE-PE
João Campos esteve no Tribunal acompanhado do candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos). Os dois se reuniram com o presidente do TRE-PE, desembargador Fernando Cerqueira, em uma agenda voltada às regras que deverão orientar o processo eleitoral.
Segundo informações divulgadas pela campanha e reproduzidas pelo Blog do Magno, Campos relatou preocupação com uma possível estrutura organizada para produzir e distribuir conteúdos de ataques políticos contra ele e integrantes de seu grupo.
A campanha afirma que os conteúdos estariam sendo produzidos e compartilhados de maneira coordenada, mas a existência e a responsabilidade por uma eventual estrutura desse tipo ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Pedido de investigação
Durante o encontro, o candidato defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas pelos órgãos responsáveis. A estratégia coloca o combate à desinformação no centro da disputa eleitoral em Pernambuco, especialmente diante do aumento da circulação de conteúdos políticos nas plataformas digitais.
A preocupação não envolve apenas João Campos. O tema dos ataques coordenados também passou a fazer parte do discurso político da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
No último sábado (8), Raquel afirmou ter registrado um boletim de ocorrência após a circulação de um vídeo falso utilizando sua imagem para solicitar transferências via Pix.
Disputa digital ganha força
O episódio ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral. A campanha oficial começa no próximo domingo (16), enquanto a propaganda eleitoral no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto.
Em junho, João Campos já havia recorrido à Justiça Eleitoral para solicitar a retirada de vídeos produzidos com inteligência artificial contendo sátiras políticas direcionadas a ele e à deputada federal Tabata Amaral (PSB).
O cenário evidencia uma transformação importante das campanhas eleitorais: as redes sociais deixaram de ser apenas ferramentas de divulgação e passaram a representar também um dos principais campos de disputa política.
Impacto para o eleitor
Para o eleitorado do Agreste Meridional e de municípios como Paranatama, a discussão tem reflexos diretos. Conteúdos políticos compartilhados em grupos de WhatsApp, Instagram, Facebook e outras plataformas podem alcançar rapidamente milhares de pessoas, muitas vezes sem que a origem ou a veracidade da informação seja verificada.
Em uma eleição marcada pela intensa disputa digital, a capacidade de distinguir informação comprovada de conteúdo manipulado será um dos principais desafios para o eleitor.
A atuação do TRE-PE tende, portanto, a ganhar relevância à medida que a campanha avance. Cabe à Justiça Eleitoral analisar denúncias, determinar eventuais medidas previstas na legislação e preservar a legitimidade do processo eleitoral.
Até o momento, as informações disponíveis tratam de alegações apresentadas pela campanha de João Campos. Eventuais responsabilidades por ataques coordenados ou utilização irregular de estruturas de comunicação ainda precisam ser demonstradas por meio de investigação e decisão das autoridades competentes.