Lula explica ausência na Marcha Para Jesus e critica uso político da fé
Presidente envia carta a organizadores, justifica não comparecimento por compromissos de governo e reforça compromisso com liberdade religiosa; AGU Jorge Messias representa governo pelo quarto ano consecutivo. Por Redação Paranatama News | Atualizado às 17:50
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou nesta quarta-feira (3) uma carta aos organizadores da Marcha Para Jesus para explicar sua ausência no evento, que acontece nesta quinta-feira (4), em São Paulo.
No documento endereçado ao apóstolo Estevam Hernandes, fundador da Igreja Renascer em Cristo, Lula agradeceu o convite, mas disse que "infelizmente não será possível participarmos este ano", sem apresentar uma justificativa específica para o não comparecimento.
A Marcha Para Jesus, que chega à sua 34ª edição, é considerada uma das maiores manifestações públicas do segmento evangélico no país e costuma reunir milhares de fiéis nas ruas da capital paulista.
O evento, que integra o calendário oficial brasileiro desde 2009 quando Lula sancionou a Lei Federal 12.025 , deve mais uma vez atrair autoridades políticas, lideranças religiosas e milhões de participantes.
Representação pelo quarto ano consecutivo
Pelo quarto ano consecutivo desde o início do terceiro mandato, o governo federal será representado na marcha pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.
Presbítero da Igreja Batista, Messias é considerado um dos principais interlocutores de Lula junto ao eleitorado evangélico, segmento no qual o presidente enfrenta dificuldades históricas de aprovação.
A participação de Messias neste ano também marca uma das primeiras aparições públicas do ministro desde que teve sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo Senado Federal, em abril.
O apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento, chegou a defender publicamente a indicação de Messias à corte, posição compartilhada por outras lideranças evangélicas de alcance nacional.
Em 2023, durante sua primeira participação na marcha como representante do governo, Messias foi vaiado por parte do público ao mencionar o nome de Lula. Na ocasião, o presidente também havia enviado uma carta justificando sua ausência.
Lula critica instrumentalização religiosa
A ausência de Lula na Marcha Para Jesus ocorre em um contexto no qual o petista tem reforçado publicamente sua posição contra o uso político da fé. Em entrevista recente ao podcast Papo de Crente, Lula afirmou que "jamais se permitiria usar religião como palanque político" e criticou a exploração eleitoral da religião.
"Não gosto de ir a igrejas em época de campanha, nem católica, nem evangélica, nenhuma. Não acho que devemos utilizar o nome de Deus em vão, a religião eleitoralmente. A religião é o espaço de professar a fé, de conversar com Deus. Não tento fazer disso política", declarou o presidente.
Lula também citou leis sancionadas em seus governos em apoio à liberdade religiosa, incluindo a sanção da lei que deu segurança jurídica às igrejas em 2003, a oficialização da Marcha Para Jesus no calendário nacional em 2009 e, em 2023, a lei que excluiu o vínculo empregatício de trabalhos com cunho religioso.
Autoridades confirmadas e cenário eleitoral
Além de Jorge Messias, já confirmaram presença na Marcha Para Jesus o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o ministro do STF André Mendonça, também evangélico.
Nos bastidores, existe expectativa sobre a participação de possíveis candidatos à Presidência da República em 2026. Até o momento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) não confirmaram presença no evento.
O apóstolo Estevam Hernandes, por sua vez, orientou as autoridades a evitarem "discursos políticos" durante o evento, em um ano eleitoral. A recomendação busca manter o caráter religioso da marcha, em meio à crescente polarização política no país.