Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 45% em eventual 2º turno, aponta Datafolha

Levantamento revela cenário de forte polarização para 2026 e indica disputa aberta entre o presidente e o senador do PL

Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 45% em eventual 2º turno, aponta Datafolha

Foto: Gerada por IA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (16). Ambos registraram 45% das intenções de voto no cenário estimulado apresentado pelo instituto.

De acordo com o levantamento, 9% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou nulo, enquanto 1% disse não saber em quem votaria.

O resultado reforça o ambiente de polarização política que continua dominando o cenário nacional, quase quatro anos após a disputa entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros entre os dias 12 e 13 de maio.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Polarização segue dominante no cenário político

O empate entre Lula e Flávio Bolsonaro mostra que o eleitorado brasileiro permanece dividido entre os dois principais campos políticos do país: o lulismo e o bolsonarismo.

Mesmo sem a presença direta do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa, o sobrenome Bolsonaro continua competitivo nacionalmente, segundo os dados apresentados pelo instituto.

Flávio Bolsonaro surge como um dos principais nomes da direita em meio às discussões internas do PL sobre quem poderá liderar o campo conservador em 2026.

O desempenho do senador também evidencia a força eleitoral do grupo bolsonarista em cenários nacionais, especialmente entre eleitores mais alinhados à oposição ao governo federal.

Já Lula mantém elevada competitividade mesmo enfrentando desgaste natural de governo em áreas consideradas sensíveis, como segurança pública, economia e saúde, temas que vêm sendo explorados pela oposição nos últimos meses.

Rejeição elevada amplia imprevisibilidade

Outro dado relevante da pesquisa é o índice de rejeição dos dois possíveis candidatos.

Segundo o Datafolha, Lula lidera a rejeição entre os presidenciáveis, com 47%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, com 43%.

Na prática, o cenário indica que ambos possuem eleitorados consolidados, mas também enfrentam forte resistência de parcelas significativas da população.

Esse fator pode tornar a disputa ainda mais imprevisível e aumentar o peso de alianças políticas, desempenho econômico e campanhas digitais ao longo do próximo ciclo eleitoral.

Analistas avaliam que o resultado reforça a tendência de uma eleição altamente tensionada em 2026, marcada novamente pela disputa entre esquerda e direita, sem espaço claro para uma terceira via competitiva até o momento.

Memória de 2022 ainda influencia eleitorado

Os números divulgados pelo Datafolha também dialogam com outro levantamento publicado neste fim de semana, mostrando que a ampla maioria dos eleitores não se arrepende do voto dado no segundo turno de 2022.

Segundo o instituto, 89% dos eleitores de Lula afirmam manter a decisão tomada na última eleição presidencial, enquanto 94% dos eleitores de Jair Bolsonaro dizem não se arrepender do voto no ex-presidente.

O dado ajuda a explicar a manutenção da polarização política no país e indica que os dois campos ideológicos seguem mobilizando bases eleitorais sólidas e altamente engajadas.

Cenário para 2026 começa a ganhar força

Embora a campanha presidencial ainda esteja distante oficialmente, os movimentos políticos em Brasília já apontam para articulações cada vez mais intensas visando 2026. Pesquisas recentes de diferentes institutos vêm mostrando crescimento da competitividade da direita em cenários de segundo turno contra Lula.

Nos bastidores, lideranças governistas tentam fortalecer a imagem institucional do governo e recuperar indicadores de aprovação, enquanto setores da oposição trabalham para ampliar o desgaste político da gestão petista em temas econômicos e de segurança pública.

O novo levantamento do Datafolha deve ampliar a pressão sobre partidos do centro político, que ainda buscam construir alternativas capazes de romper a polarização histórica entre PT e bolsonarismo.