Paciente com suspeita de Ebola é internado em SP após viagem à África
Homem de 37 anos está isolado no Instituto Emílio Ribas. Caso ainda não tem confirmação laboratorial, mas protocolos de biossegurança já foram acionados. Por Redação | 31 de maio de 2026 | Atualizado às 18h43
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Um homem de 37 anos chegou a São Paulo vindo da República Democrática do Congo e, pouco tempo depois, apresentou febre. O sintoma, somado ao histórico de viagem, fez os médicos acionarem os protocolos de emergência. Ele foi levado para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência estadual para casos suspeitos de Ebola, e está em isolamento desde então.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou o caso neste sábado (30). A investigação foi aberta de forma preventiva, depois que o paciente preencheu critérios clínicos e epidemiológicos definidos pelos protocolos nacionais e estaduais. Ainda não há resultado de exames laboratoriais. Até o momento, trata-se apenas de um caso suspeito.
A Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, explicou como o protocolo funciona:
"O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes."
Ela também tranquilizou sobre o risco de propagação no Brasil:
"O risco de introdução da doença no Brasil é muito baixo, já que não há voos diretos da região afetada e a transmissão só ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas que já apresentaram sintomas."
O que aconteceu
O paciente desembarcou em São Paulo após passar pela RDC. Logo após a chegada, apresentou febre. Por causa do histórico de viagem e do sintoma, os médicos acionaram os protocolos de biossegurança. O homem foi levado para o Emílio Ribas, onde está sob observação em isolamento.
Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, explicou que as medidas foram adotadas assim que os critérios foram identificados. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes.
Ela também tranquilizou sobre o risco de propagação no Brasil. O risco de introdução da doença no Brasil é muito baixo, já que não há voos diretos da região afetada e a transmissão só ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas que já apresentaram sintomas.
O vírus e a cepa envolvida
O surto que assola a RDC e já chegou ao Uganda é causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola. Essa variante é menos conhecida que a Zaire, responsável pelos maiores surtos da história como o de 2014 a 2016 na África Ocidental, que matou cerca de 11 mil pessoas, e outro na própria RDC entre 2018 e 2020, com mais de 3 mil mortes.
A cepa Bundibugyo já apareceu antes. Em 2007, provocou um surto na fronteira entre RDC e Uganda com 131 casos e 42 mortes. Outro episódio ocorreu em 2012, na RDC, com 38 casos confirmados e 13 óbitos.
O problema agora é que não existe vacina nem tratamento específico aprovado para a cepa Bundibugyo. A Ervebo, vacina desenvolvida durante o surto na África Ocidental e aprovada pela FDA em 2019, foi testada contra a cepa Zaire. Para a variante atual, não há proteção comprovada.
A dimensão do surto na África
A Organização Mundial da Saúde já elevou o risco do surto para "muito alto" a nível nacional na RDC e "alto" a nível regional. A agência declarou a situação como emergência de saúde global depois que o vírus cruzou a fronteira para Uganda.
Os números são preocupantes. Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, há mais de 900 casos suspeitos e 220 mortes suspeitas na RDC. Os casos confirmados já passam de 100. No Uganda, foram identificados pelo menos sete casos, incluindo profissionais de saúde infectados.
Tedros admitiu que a epidemia está se movendo rápido demais:
"Estamos acelerando as operações, mas a epidemia está nos ultrapassando."
A resposta no terreno é complicada. A província de Ituri, epicentro do surto, vive uma guerra civil que enfrenta o movimento rebelde M23. Cerca de cinco milhões de pessoas estão deslocadas, sem acesso a cuidados de saúde básicos. Além disso, ataques a hospitais e a negação da doença por parte da população dificultam o trabalho das equipes médicas.
O diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, deixou um alerta claro:
"Quem pensa que isto é um assunto só da RD Congo terá uma surpresa, como aconteceu durante a covid."
O risco no Brasil
Especialistas ouvidos pela imprensa minimizam o perigo de uma propagação no país. O Jean Gorinchteyn, infectologista com passagem pelo Emílio Ribas e ex-secretário estadual de Saúde, disse à CBN São Paulo que a situação exige atenção, não pânico:
"Nós temos que ter atenção, não preocupação. Atenção significa monitorar pessoas que venham, por exemplo, de regiões como a República Democrática do Congo, como de Uganda, onde nós temos um índice de contaminação bastante elevado."
Ele explicou como funciona o protocolo no caso paulista:
"No caso em questão, houve única e exclusivamente como manifestação clínica a febre. Opa, de onde ele veio? República Democrática do Congo. Então ele vira um caso suspeito. O caso suspeito é merecedor de isolamento. E todas as pessoas que tiveram este contato próximo acabam ficando em quarentena."
A quarentena dos contatos dura até o resultado dos exames. Se der negativo, todos são liberados.
A transmissão do Ebola só acontece depois que os sintomas começam. O contágio exige contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas sangue, vômito, fezes, saliva. Pessoas assintomáticas, mesmo que tenham sido expostas, não transmitem a doença.
Os sintomas e o período de incubação
A doença pode começar de forma súbita. Os primeiros sinais são febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em casos graves, evolui para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia de dois a 21 dias.
A orientação para os serviços de saúde em todo o Brasil é manter atenção a pacientes com febre e histórico de viagem nos últimos 21 dias para áreas com circulação do vírus. Também devem ser avaliados casos de contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas.
O cenário em São Paulo
O Instituto de Infectologia Emílio Ribas já atuou em outras emergências de saúde pública e tem estrutura para isolamento de doenças de alto risco. A unidade segue protocolos rigorosos de biossegurança, com equipe treinada para manejo de pacientes com vírus hemorrágicos.
A SES-SP não informou quantas pessoas tiveram contato próximo com o paciente e estão em quarentena. Também não há previsão para divulgação do resultado dos exames laboratoriais.
A expectativa é que o caso seja descartado. Mas enquanto o resultado não sai, o protocolo de isolamento e monitoramento continua em vigor.