Paranatama tem o segundo pior índice de qualidade de vida de Pernambuco no IPS Brasil 2026
Município do Agreste aparece entre os piores desempenhos do estado em levantamento nacional que avalia saúde, educação, segurança, saneamento e oportunidades sociais
O município de Paranatama, no Agreste de Pernambuco, registrou o segundo pior índice de qualidade de vida do estado no levantamento do IPS Brasil 2026 (Índice de Progresso Social), divulgado nesta semana.
A cidade alcançou nota 50,49 e ficou atrás apenas de Carnaubeira da Penha, que obteve 48,79 pontos no ranking estadual.
O IPS Brasil avalia os 5.570 municípios brasileiros a partir de indicadores sociais e ambientais ligados diretamente às condições de vida da população.
Diferentemente de rankings econômicos tradicionais baseados apenas no Produto Interno Bruto (PIB), o estudo mede fatores ligados ao bem-estar social, acesso a serviços essenciais e oportunidades para os cidadãos.
Segundo os dados divulgados pelo levantamento do IPS Brasil, Paranatama aparece entre os municípios pernambucanos com maiores dificuldades estruturais em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento humano e social.
Ranking expõe desigualdades no interior de Pernambuco
A divulgação do IPS Brasil 2026 reacendeu o debate sobre desigualdade regional em Pernambuco.
Enquanto municípios como Fernando de Noronha, Belo Jardim, Paulista e Petrolina aparecem entre os melhores colocados do estado, cidades do interior enfrentam graves dificuldades em infraestrutura, saneamento, acesso à saúde, educação e geração de oportunidades.
No ranking das dez piores cidades pernambucanas em qualidade de vida, Paranatama ocupa a segunda colocação negativa:
1. Carnaubeira da Penha — 48,79
2. Paranatama — 50,49
3. Casinhas — 52,29
4. Santa Filomena — 53,46
5. Bodocó — 53,48
6. Buíque — 53,63
7. Santa Cruz — 53,67
8. Santa Maria do Cambucá — 53,94
9. Afrânio — 54,56
10. Maraial — 54,56
O índice é construído com base em 57 indicadores públicos divididos em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Entre os fatores analisados estão acesso à água potável, saneamento, moradia, segurança, educação, inclusão social, saúde e acesso à informação.
Indicadores sociais históricos ajudam a explicar desempenho
Dados do IBGE Cidades ajudam a contextualizar os desafios enfrentados por Paranatama.
O município possui população estimada em 12.778 habitantes em 2025 e um IDHM de 0,537, considerado baixo pelos parâmetros nacionais.
Apesar de avanços em áreas como escolarização que alcança 98,73% entre crianças de 6 a 14 anos, especialistas apontam que municípios do interior ainda enfrentam limitações históricas relacionadas à infraestrutura urbana, saneamento básico, mobilidade, acesso a serviços especializados de saúde e geração de emprego e renda.
O levantamento do IPS também chama atenção porque mede a qualidade de vida de forma mais ampla do que indicadores puramente econômicos.
Isso significa que cidades com arrecadação ou movimentação econômica razoável ainda podem apresentar baixos níveis de progresso social quando a população não consegue acessar serviços públicos essenciais com eficiência.
IPS Brasil ganha força como ferramenta de gestão pública
O IPS Brasil vem sendo cada vez mais utilizado por pesquisadores, gestores públicos e instituições como instrumento para formulação de políticas públicas.
O estudo é desenvolvido com participação de organizações como Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative.
Segundo os organizadores, o objetivo do índice é mostrar como a população realmente vive, indo além de indicadores econômicos tradicionais.
O relatório considera exclusivamente dados públicos e comparáveis em todo o território nacional.
Para especialistas em desenvolvimento regional, os dados revelam a necessidade urgente de investimentos estruturantes em cidades do interior pernambucano, especialmente em áreas como saneamento, saúde pública, infraestrutura urbana e inclusão social
Debate deve aumentar pressão por políticas públicas
A divulgação do ranking tende a ampliar a cobrança da população e de setores da sociedade civil por medidas concretas que melhorem os indicadores sociais de Paranatama nos próximos anos.
O resultado também deve intensificar o debate sobre eficiência administrativa, prioridades orçamentárias e capacidade de investimento em municípios de pequeno porte do Agreste pernambucano.
Embora o IPS não tenha caráter econômico, especialistas avaliam que baixos indicadores sociais podem impactar diretamente a atração de investimentos, o desenvolvimento local e a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.