Redes sociais superam mídia tradicional no acesso global a notícias, aponta Instituto Reuters
Relatório da Universidade de Oxford revela mudança histórica nos hábitos de consumo de informação e amplia desafios para o jornalismo profissional. Por Redação Paranatama News. 18 de junho de 2026 | Atualizado às 10h45
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As redes sociais e plataformas digitais ultrapassaram os veículos tradicionais de comunicação como principal porta de entrada para notícias em diversas partes do mundo. A constatação faz parte do Digital News Report 2025, elaborado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, considerado um dos mais importantes levantamentos globais sobre hábitos de consumo de informação.
Pela primeira vez, o acesso às notícias por meio de redes sociais e plataformas de vídeo supera, em vários mercados, o consumo realizado por televisão, jornais impressos e sites jornalísticos tradicionais. O fenômeno é impulsionado principalmente pelas novas gerações, que cada vez mais se informam por meio de conteúdos distribuídos em aplicativos como YouTube, Instagram, TikTok e outras plataformas digitais.
Mudança de comportamento redefine o mercado da informação
O levantamento ouviu cerca de 100 mil pessoas em 48 países, incluindo o Brasil, e identificou uma transformação profunda no ecossistema informativo global. O estudo mostra que o consumo de notícias vem migrando dos canais tradicionais para ambientes digitais, onde influenciadores, criadores de conteúdo e personalidades online conquistam audiência crescente.
Segundo o relatório, o fenômeno é especialmente forte entre jovens de 18 a 24 anos. Nesse grupo, as redes sociais já ocupam posição central na rotina de consumo informativo, enquanto a televisão, o rádio e os jornais impressos registram perda gradual de relevância.
Brasil acompanha tendência global
No Brasil, a transformação ocorre de forma ainda mais acelerada. O estudo aponta que apenas 10% dos brasileiros afirmam consumir notícias por meio de jornais impressos, número muito inferior ao registrado pouco mais de uma década atrás. Ao mesmo tempo, plataformas como YouTube e Instagram consolidaram-se entre os principais canais de acesso à informação.
Dados do relatório mostram que YouTube e Instagram são utilizados por 37% dos brasileiros para acompanhar notícias semanalmente, enquanto o WhatsApp também aparece entre as plataformas mais relevantes para distribuição de conteúdo informativo.
Influenciadores ganham espaço na disputa por audiência
Outro destaque do estudo é o crescimento do chamado modelo de informação baseada em personalidades. Em vez de acessar diretamente veículos jornalísticos, parte significativa do público passa a consumir conteúdos produzidos por influenciadores, comentaristas independentes e criadores digitais.
A tendência tem alterado a dinâmica do setor de comunicação e criado novos desafios para empresas jornalísticas, que disputam atenção em um ambiente dominado por algoritmos, vídeos curtos e conteúdos altamente personalizados.
Desinformação permanece como preocupação central
Apesar da ascensão das plataformas digitais, a pesquisa mostra que a confiança do público continua mais associada às marcas jornalísticas tradicionais quando o assunto é verificar fatos ou confirmar informações duvidosas.
O relatório aponta que 58% dos entrevistados relatam dificuldade para distinguir conteúdos verdadeiros de informações falsas na internet. Quando encontram uma notícia suspeita, a maioria ainda procura veículos de comunicação reconhecidos ou fontes oficiais para confirmar os dados.
O avanço das redes sociais amplia o acesso à informação, mas também aumenta a necessidade de educação midiática, checagem de fatos e fortalecimento do jornalismo profissional.
O futuro do jornalismo na era das plataformas
Na avaliação de especialistas a mudança não representa necessariamente o desaparecimento da mídia tradicional, mas exige adaptação dos modelos de produção e distribuição de conteúdo. O desafio passa por alcançar novas audiências sem abrir mão da credibilidade, da apuração rigorosa e dos princípios editoriais que diferenciam o jornalismo profissional da simples circulação de informações nas redes.
A disputa pela atenção do público deixou de ocorrer apenas entre veículos de imprensa. Hoje, ela envolve influenciadores, plataformas tecnológicas, algoritmos e até ferramentas de inteligência artificial, redesenhando o futuro da comunicação global.