Tremor de magnitude 1,7 é registrado em Correntes, no Agreste de Pernambuco

Abalo foi detectado pelo LabSis/UFRN na noite de 31 de agosto; até o momento, não há relatos de que tenha sido sentido pela população. Por Reginaldo Bezerra. 05 de setembro de 2026 | Atualizado às 10h51

Tremor de magnitude 1,7 é registrado em Correntes, no Agreste de Pernambuco

Imagem | ilustração | LabSis/UFRN)

Um tremor de terra de magnitude preliminar 1,7 mR foi registrado na região de Correntes, no Agreste de Pernambuco, pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN). O evento ocorreu às 21h54 de 31 de agosto, no horário de Brasília, e foi registrado pelo laboratório em 1º de setembro, às 00h54 no horário UTC.

Embora o abalo tenha sido de baixa magnitude, o episódio merece atenção porque se insere em um histórico de pequenos eventos sísmicos registrados no Agreste pernambucano.

O que foi registrado

O LabSis/UFRN identificou o evento por meio de sua rede de estações sismográficas. A magnitude de 1,7 mR é preliminar, o que significa que os parâmetros podem sofrer alterações após análises posteriores dos dados.

No momento da divulgação do registro científico, não havia confirmação de que o tremor tivesse sido percebido pela população. Posteriormente, porém, relatos divulgados pela imprensa apontaram que moradores da zona rural de Correntes teriam percebido um forte estrondo por volta das 22h, especialmente na região do Sítio Capivara, nas proximidades do Sítio Amolar, perto da divisa entre Pernambuco e Alagoas.

A diferença entre o registro instrumental e a percepção humana é importante: um tremor pode ser detectado por equipamentos especializados sem necessariamente produzir efeitos perceptíveis em áreas habitadas.

Não é um “grande terremoto”

A expressão “terremoto” costuma provocar associação imediata com grandes desastres, prédios destruídos e terremotos de elevada magnitude registrados em países situados nas bordas das placas tectônicas.

Não é esse o cenário de Correntes.

O evento registrado pelo LabSis é um sismo de baixa magnitude, sem indicação, a partir das informações disponíveis, de danos estruturais ou de uma situação de emergência.

Em termos científicos, entretanto, é mais correto falar em sismo ou tremor de terra. A palavra terremoto também pode ser utilizada genericamente para designar um movimento sísmico, mas, no uso jornalístico cotidiano, costuma estar associada a eventos de maior intensidade.

Agreste tem histórico de tremores

O episódio de Correntes não surgiu de forma isolada.

O Agreste pernambucano possui histórico de atividade sísmica e já teve registros em municípios como: Caruaru, São Caetano, Belo Jardim e Cahoeirinha. Aqui estão listados apenas cinco municípios como exemplo, mas há evidência de tremores de terra em muitos outros municípios ao longo dos anos.

Em janeiro de 2025, a própria CNN Brasil informou que Pernambuco havia registrado quatro eventos sísmicos naquele mês, três deles no Agreste. Caruaru teve ocorrências de magnitude 1,5 e 2,1 mR, enquanto Belo Jardim registrou um evento de 1,8 mR.

A região de Caruaru é particularmente conhecida pela ocorrência de pequenos sismos, associados a estruturas geológicas existentes no território pernambucano.

Por que o Agreste registra esses fenômenos?

O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de encontro entre placas tectônicas. Isso reduz a frequência de grandes terremotos, mas não impede a ocorrência de sismos.

Falhas e fraturas existentes na crosta podem acumular e liberar tensão, produzindo pequenos deslocamentos e ondas sísmicas.

Por isso, registrar tremores de baixa magnitude não significa que a região esteja caminhando necessariamente para um grande terremoto.

Também não é possível utilizar um pequeno tremor isolado como instrumento de previsão de um terremoto futuro.

Monitoramento é essencial

A atividade sísmica do Nordeste é acompanhada por instituições especializadas, entre elas o LabSis/UFRN e a Rede Sismográfica Brasileira.

O monitoramento permite determinar localização, horário e magnitude dos eventos e, principalmente, distinguir ocorrências de baixa intensidade de situações potencialmente mais relevantes.

No caso de Correntes, os dados disponíveis apontam para um evento de pequena magnitude, sem evidências apresentadas até o momento de danos significativos.

O que o registro significa para o Agreste Meridional?

O tremor de Correntes chama atenção menos pela intensidade e mais pelo que revela sobre a própria dinâmica geológica do Agreste.

Pequenos sismos fazem parte do histórico da região e podem voltar a ocorrer sem que isso represente, por si só, uma ameaça de grande terremoto.

Ao mesmo tempo, o registro reforça a importância de manter o monitoramento científico e de comunicar os dados à população com precisão. Para os moradores, a principal recomendação é evitar conclusões alarmistas a partir de mensagens ou vídeos compartilhados nas redes sociais e buscar informações nos canais oficiais de monitoramento.

Até o momento, portanto, o tremor de 1,7 mR registrado em Correntes deve ser tratado como um evento sísmico de baixa magnitude, inserido em um contexto de atividade sísmica já conhecida no Agreste pernambucano.