Zelandyo Monte Horebe cobra Prefeitura de Paranatama sobre promessa de fardamento escolar

Zelandyo Monte Horebe denuncia descaso com educação em município que figura entre os 15 piores em qualidade de vida do Brasil, segundo Índice de Progresso Social 2026. Por Redação Paranatama News. 23 de junho de 2026 | Atualizado às 11h40

Zelandyo Monte Horebe cobra Prefeitura de Paranatama sobre promessa de fardamento escolar

Imagem foto divulgação/edição com IA

O líder de oposição em Paranatama, Zelandyo Monte Horebe, voltou a cobrar da Prefeitura uma solução para a falta de distribuição do fardamento escolar dos alunos da rede municipal de ensino. A promessa, anunciada no ano passado pelo prefeito Dr. Henrique Gois, ainda não foi cumprida e junho de 2026 já está na metade, com pais e responsáveis sem respostas concretas sobre quando os uniformes serão entregues. A cobrança ganha contornos ainda mais graves diante do cenário de vulnerabilidade social do município: Paranatama figura entre os 1,5% piores em qualidade de vida do Brasil.

Pais relatam insatisfação com o descaso

Segundo Zelandyo, diversos pais de família procuraram sua equipe para relatar a insatisfação com a situação. "São muitas reclamações de pais que estão preocupados com o descaso na educação quando se fala em fardamento escolar", afirmou o líder da oposição. Ele destacou que, durante anos, as famílias de Paranatama tiveram que arcar com os custos das fardas dos seus filhos, enquanto em muitos municípios da região os uniformes são entregues gratuitamente junto com o kit escolar no início do ano letivo.

A cobrança ganha peso diante do contexto regional e legal. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já recomendou o fornecimento gratuito de fardamento e material didático em municípios vizinhos, como Lagoa dos Gatos e Belém de Maria, por falta de cumprimento dessa obrigação. O promotor de Justiça João Victor Campos Silva destacou, na época, que "o uniforme escolar é de suma importância porque facilita a identificação do aluno no ambiente escolar, fortalece a integração e permanência do estudante".

Além disso, embora não exista obrigatoriedade federal de fornecimento gratuito de uniforme um projeto de lei nesse sentido foi vetado pelo governo federal em agosto de 2023 por questões orçamentárias, a Lei nº 8.907/1994 estabelece que, quando a escola adota fardamento, os critérios de escolha devem levar em conta as condições econômicas do estudante e de sua família.

Promessa anunciada, mas não cumprida

No ano passado, a gestão municipal anunciou que os fardamentos seriam fornecidos gratuitamente aos estudantes. No entanto, já estamos em junho de 2026 e, segundo os relatos recebidos, a promessa ainda não foi cumprida.

"É inadmissível que os alunos continuem sem receber o fardamento escolar. A população merece respeito e respostas concretas. Educação não pode viver apenas de promessas", declarou Zelandyo.

O custo silencioso: quanto pesa o fardamento no bolso das famílias?

Para entender o impacto real da não entrega do fardamento, é preciso olhar para a realidade econômica de Paranatama. O município tem 12.778 habitantes (estimativa IBGE 2025), com PIB per capita de apenas R$ 24.618,65 (dados de 2021) e IDH de 0,537 considerado baixo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O custo médio de um fardamento escolar completo no Brasil varia entre R$ 150 e R$ 400, dependendo do número de peças e da região. Para uma família com dois filhos em idade escolar, o investimento pode chegar a R$ 800 por ano valor significativo em um município onde a renda per capita é uma das mais baixas do estado.

A escolarização de crianças de 6 a 14 anos em Paranatama é de 98,73%, segundo o Censo 2022 do IBGE dado que demonstra o compromisso das famílias com a educação, mesmo diante das dificuldades. No entanto, a falta de fardamento pode comprometer a permanência e o sentimento de pertencimento dos alunos, especialmente em um contexto de alta vulnerabilidade social.

Situação expõe desafios estruturais do município

O líder de oposição relacionou a situação aos desafios enfrentados por Paranatama."Paranatama aparece entre os municípios com os piores indicadores de qualidade de vida em Pernambuco, segundo o Índice de Progresso Social (IPS)", ressaltou. Os dados confirmam a afirmação. No IPS Brasil 2026, divulgado em maio deste ano, Paranatama registrou pontuação de 50,49, figurando na posição 5.485 entre os 5.570 municípios avaliados ou seja, entre os 1,5% piores do país. O município está classificado no Grupo 9, a faixa de pior desempenho do índice, que reúne apenas 23 cidades brasileiras.

Para Zelandyo, problemas como esse demonstram a necessidade de uma gestão mais eficiente e comprometida com as necessidades da população.

O que diz o Índice de Progresso Social sobre Paranatama

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, elaborado pelo Imazon, avalia 5.570 municípios em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. A pontuação média nacional foi de 63,40.

Paranatama, com 50,49 pontos, está 12,91 pontos abaixo da média brasileira e mais de 20 pontos abaixo de cidades de referência no estado, como Recife. O componente de Oportunidades que inclui acesso à educação superior, inclusão social e direitos individuais registrou o menor desempenho nacional, com média de 46,82.

Especialistas apontam que, em municípios com baixo desempenho no IPS, a falta de investimento em educação básica  incluindo itens como fardamento, material didático e infraestrutura acelera o ciclo de desigualdade, dificultando o acesso da juventude local a oportunidades futuras.

Cobrança reforça pedido da comunidade

A cobrança de Zelandyo Monte Horebe reforça o pedido de pais e responsáveis para que a Prefeitura esclareça quando os fardamentos serão entregues aos estudantes da rede municipal.